29 junho 2016

O terrorismo nosso de cada dia

Eventos recentes demonstram nossa bestialidade. Como humanidade, a grosso modo, ofendemos a quem nos tem ofendido e não perdoamos a quem nos oferece perdão. A natureza remete à grosseria, à violência, ao seu olho pelo olho perdido, a sua mão pela minha mão perdida.

E mais, somos gananciosos enquanto seres viventes. Territorialistas, eu diria. Como meu cachorro macho que mija em cada canto da casa onde coloca as patas e ainda na rua, por onde tiver urina, para deixar seu cheiro, sua marca, seu excremento, a fim de que os outros saibam que ele passou por ali e aquele espaço é seu.

O conceito de nação perpassa por isso, fechamos a cerca para dizer que aquele espaço de terra é nosso e de mais ninguém. Os ingleses, menos bobos dos humanos contemporâneos, já deliberaram pela saída de uma união continental, afinal, abrir as comportas para que outros se beneficiem do que eles plantaram, jamais.

A violência demonstrada em atos terroristas, em que muitos são mortos em nome de ideais religiosos ou ideológicos, também é pouco disso. Não aceitar o que o outro diz é difícil demais sem chegar ao homicídio resultado no genocídio. Acham, em inocência de vida, que exterminar grupos, etnias, nações, resolverá o problema que eles acham existir.

E é assim. E vai continuar a ser assim. Os ricos mais ricos, os pobres continuando na pobreza. E não há quem nos defenda, não nesta vida.  Pensar custa caro, anos a fio de escolas e mestres e ainda mais, quando o esclarecimento perpassa pelo combate à cultura ambiental primária.

O instinto de sobreviver, de espalhar o pólen e urina nos mais longínquos lugares, acentua a naturalidade. A rivalidade é do ser, e não do capitalismo ou socialismo ou comunismo. Não aceitamos o outro vencendo com menos méritos que a gente. Os que aceitam, sabem pouco tornar-se interlocutores de uma transição educacional necessária ao desenvolvimento humanos.

Quem sabe seríamos experimentos, divinos ou extraterrestres, tanto faz. O estágio de civilidade é tão pequeno que não conseguimos nos manter unidos. E justamente por isso pequenos grupos racham, quiçá as grandes nações. De norte a sul e leste a oeste cada qual é cada qual. Ainda me admiro que tenhamos evoluído, a ferro e fogo de poucos idealistas, muitos dos quais deram a vida em prol da respectiva causa, com uma vida social quase que mundial, o contrato social.

A linha de retrocesso e avanço é tênue. O risco do cenário imaginário e futurístico de madmax se concretizar tem a mesma porcentagem do cenário de eurobô.

Temo pela minha vida. Este é um mundo perigoso. Mas também temo calar-me quando o injusto inventa novas injustezas e o justo se flexibiliza aos jeitos burlatórios de normas postas. As normas são boas, mas como seus autores, encontram-se nelas brechas nas quais muitos se locupletam.

A oração, uns pelos outros, é medida ensinada pelo Rabi Nazareno, assim como pelas autoridades. Se dois milênios atrás o que é de César foi-nos ensinado a dar a César, quanto mais hoje dar a Deus o que é de Deus. O jeito quieto do mestre galileu de mostrar a revolução almejada pelos judeus demorou e demora até hoje. As guerras não acabaram e os jugos continuam sobre os pescoços da humanidade.

As respostas óbvias não existem, são meras abstrações de quem almeja lhe doutrinar e subjugar em sua própria colônia, ou da simplicidade de quem sequer sabe o que é, quem é e não detém capacidade para nenhum questionamento, apenas segue a manada.

Ah, o efeito manada, um puxa o berrante o todos seguem atrás. Somos assim. Permaneceremos assim. O senso crítico não nos livrará, apenas amenizará em atitudes não soberanas e não ditatoriais, o viver no mundo.






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