13 maio 2017

Sobrevivi (endo) comigo

Além de mim, nada há.

A sobrevivência é atributo instintivo de cada ser vivo, principalmente do mundo animal. A fome, o frio, o sono são exemplos clássicos de dominação em que ninguém escapa.

No mundo capitalista, que é o sistema de vida em sociedade mais humano possível - pois reflete a nós, seres humanos, como somos - é a sobrevivência sinônimo de internet, sky, drone, carro, lancha, avião, viagens, restaurantes, boates, raves, igrejas, sociedades secretas (maçons e lions), dinheiro, enfim, todas as baboseiras que você pode viver sem elas mas sem elas não pode viver.

A plenitude migrou de ter batata e mandioca na mesa, para ter uma mesa que seja mais cara e especial que as que meus 'amigos' tem.

Não, não sou o hipócrita que condena os quitutes capitalistas em que me banqueteio - na medida do possível - mas sim, sou o pecador que condena a mim mesmo por ser como sou.

Nenhuma criação ou ensino irá mudar o que somos, egoístas. O sentido do egoísmo é justamente pelo instinto da sobrevivência - acumular para jamais faltar.

Para a maioria existe uma linha, de moralidade, que tem sido quebrada em nome do benefício. Adotar condutas parciais e de índole duvidosa para obter o resultado almejado, que lógico me beneficia, é o que fazemos melhor.

E assim vamos, de esquema em esquema, jeitinho em jeitinho, ninguém ta vendo em ninguém ta vendo, a passos largos para a vida capitalista plena e para o inferno.

Ah, mas o inferno é aqui. Fato! É aqui mesmo, para os que são pobres, miseráveis, deficientes, excluídos. Para os outros, é o céu. 

Ah, mas me falta muita coisa, não é bem assim! Claro! Você tem carro, come picanha e bebe cerveja fim de semana, tem emprego, internet, notebook e não ta bom, nada nada bom.

Ah, mas não podemos generalizar, nem todos são egoístas. Óbvio. Farinha pouca, meu pirão primeiro.

Eu duvido quem não hesite em fazer o que condenam. Quem condena os outros, gloriando-se de si, está prestes a cair, diz o provérbios - mais certo que conheço. Todas as vezes que me gabei, me fudi - no sentido mais vulgar possível.

Eu mesmo preciso vigiar, não me considero em pé e sim caído, mas existem temas em que ainda há esperança para minha manutenção de posição. A maioria me exige auto-reparos.

Rogo a Deus, Aquele que nada muda milagreiramente em nós, que nos criou e deixou nesta Terra com metade de sua essência e metade vazia, que a metade DEle em mim se multiplique e a metade minha de mim se diminua.

Ai de mim, que prejudico aos outros em detrimento de mim. Ai de mim que não compartilho o que ganho, mas acumulo para mim. Ai de mim, que só penso em mim. Tolo e insensato que sou.

Convido-o a também a se auto-avaliar. Se se achar digno, repense e volte ao começo.