24 agosto 2016

Em campanha

Sem atrapalhar nossas noites de prazer, nossos candidatos ainda nos prometem fazer de tudo e mais um pouco. A maioria não sabe das obrigações inerentes a receitas e despesas, consumo sustentável, licitações e contratações escritas, pressupostos dos mais básicos ao gestor público.

Por aqui não diferente dai, tem os grupos fechados ansiosos pelos cargos em comissão, os atuais que querem não perder a boquinha e os indivíduos individuais, os quais pregam que sozinhos salvarão a comunidade.

As panelas religiosas apoiam os seus, escolhidos entre si e avalizados por suas pretensas divindades. Os cósmicos e maçons em secreto também apoiam a si próprios, num círculo que ninguém sabe e ninguém viu, a não ser por três ridículos pontinhos que os identificam.

Minha campanha é menor, para outras coisas, mas também relacionadas a egoísmos capitalistas e auto centralistas que fazem parte de mim e dos meus. Não, não me candidato a nada, já me disseram serem meus braços curtos, de fato o são. Os que tem braços maiores não abraçam a todos também, apenas os seus, como eu e todos nós.

Governar não deve ser fácil, pois depende dos outros, em tudo. Ninguém governa nada sem a força, o sangue, ou a amizade, ou o acordo, ou a ação, ou a omissão.

Em campanha os piores podem ser os melhores e os que melhor falam os que menos se preocupam com os demais, não há regras e tudo e todos podem ser surpresas. O exercício da religiosidade, assistencialismo e associativismo não define caráter nem competência.

O competente pode tornar-se ineficiente por não saber o esquema que leva à eficiência e o corrupto e ladrão pode ser eficiente e querido se tiver os caminhos e asseclas nos lugares certos e na hora certa.

A vida neste planeta é finita. Não adianta fazer campanha, ganhar e usurpar-se do que é alheio, mesmo que inocentado seja pelas malandragens existentes. Como diz minha vó, que ouvia da sua vó, aqui se faz, aqui se paga.

A governança, em seus conceitos contemporâneos, pressupõe ética, responsabilidade e transparência que o sistema em si ainda não absorveu. Ainda estamos na época em que 50 reais vale um voto. A fiscalização tenta coibir o que a cultura de um povo traz dentro de si.

A humanidade que nos tem, é aquela que nos estipula à infidelidade a tudo e todos, ainda mais se isto for obstáculo. É isso, a humanidade nos tem. Nossa campanha é o que somos. E que somos, senão desejos, sonhos, utopias e escorregadias condutas, que tanto escondemos dos outros, e de nós mesmos.