09 fevereiro 2016

A festa pela crise

No meio do carnaval, a carne nada vale.
Os ânimos acirram, extravasam geral.
A bebida entorpece e a visão agradece.
O pênis endurece e as DSTs se apetece.
Ser moral é pequeno, o clima é quente.
Cada um no seu canto, se diverte ou não.
Religiosos se retiram, libertinos se atiram.
Em economia decadente, feriado nem se sente.
O preço das coisas aumenta, reinvidicar nem se tenta.
Viver é artigo de luxo, no país tropical.
Dever no débito é viver no crédito.
Pagar a conta no dia, quem diria.
Governo incentiva endividamento.
O contento é dever sem poder.
 Pagar pra quê, em 5 anos a dívida prescreve.
O nome limpa e o ciclo renova.
Ouvir sermão, uma ova.
O ser humano é assim.
Precisam de mim, disse o Rabi.
Mas ajuntar como galinha os pintinhos.
Até E'le sabia que não podia.
Em meio à nossa desvairia.
Salve-se quem puder.
Se o crédito der.
AFINAL
É fácil discursar.
Difícil é viver.
Ainda mais corretamente.
E o que é correto,
Até isso se transforma.
E de pessoa em pessoa se disforma.