11 fevereiro 2015

Incompleto

Estive pensando nas últimas semanas sobre nossa incompletude. Muitas vezes temos tudo e temos a sensação ingrata e insana de que não temos nada.

Medimo-nos pela régua de nosso status social, esquecendo que a pobreza, a miséria, a falta de acesso aos bens mais básicos, é a regra deste mundo. Menos de 10% da população mundial detém mais de 90% de toda riqueza mundial.

Devemos mudar este mundo, ou se esforçar para fazê-lo? Partindo do pressuposto de que só temos este planeta e que ele tem recursos naturais finitos, nada do que fizermos vai mudar o que está posto.

Por outra banda, agir sem consciência de respeito para com este mundo, e as pessoas que nele convivem, pode sim vir a trazer consequencias de antecipação do fim, que é certo.

Temo estar virando um eremita, com meus conceitos pessoais que nem sempre são partilhados pelo vento. O temor maior do meu coração é de não ter a oportunidade de disseminar que o respeito  a dignidade humana pode ser uma opção através do amor, que contagia e apara as arestas da nossa natureza cheia de falhas.

Não somos completos mesmo tendo tudo, talvez sejamos mais completos não tendo nada, paradoxo que nos remete às bem-aventuranças de Jesus em seu reino de valores invertidos em relação aos valores deste mundo.

Felizes os pobres, os injustiçados, os perseguidos, os que nada tem, ousou gritar aos que ouviam o Rabi de Nazaré no chamado sermão da montanha.

A lição é que ter menos, ser menos, estar menos, nos leva ao resultado mais agradável, a de ainda hoje estar com o Crucificado e Ressurreto no paraíso.

Assim seja.

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