04 setembro 2013

Conhecimento = Rir, detestar, deplorar?

Lendo a introdução do livro “A verdade e as formas jurídicas”, de Foucault, achei interessante o debate sobre o resultado do conhecimento e suas nuances, no que pertine a ridere, lugere, detestari.

“Spinoza dizia que, se quisermos compreender as coisas, se quisermos efetivamente compreendê-las em sua natureza, em sua essência e portanto em sua verdade, é necessário que nos abstenhamos de rir delas, de deplorá-las ou de detestá-las.”

Foucault parafraseando Nietzsche, em o livro Gaia Ciência, disse que o mesmo não somente abominava o pensamento de Spinoza, como o fato era o contrário, ou seja, o conhecimento e a compreensão, por vezes sinônimos, perpassam por um jogo e luta desses três instintos, mecanismos, paixões.

Era defendido que esses impulsos – rir, destestar e deplorar – são ordens de más relações, pois ao se adquirir maiores conhecimentos, afasta-se o objeto, seja se protegendo pelo riso, desvalorizá-lo pela deploração ou afastá-lo ou destruí-lo pelo ódio.

Deste modo, no conhecimento não há no conhecimento felicidade e amor, mas ódio e hostilização, caracterizando um sistema precário de poder. Conclui-se que a filosofia estaria longe de indicar o conhecimento, devendo, os que o buscam, se aproximar dos políticos, compreendendo as relações de luta e poder. - “na maneira como as coisas entre si, os homens entre si se odeiam, lutam, procuram dominar uns aos outros, querem exercer, uns sobre os outros, relações de poder – que compreendemos em que consiste o conhecimento”.

Hoje, dia 04 de setembro de 2013, ao ouvir na rádio Senado o debate sobre o projeto de lei em que se debatia a transparência dos doadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, para campanhas eleitorais, me aproximei dos políticos para ouvi-los, com suas falas de relação de poder, em sua maioria se negando a querer declarar quem doa para que façam campanhas políticas, sob o argumento de que tal fato se faz as escuras e se fosse as claras, sequer dinheiro para campanha teriam. Fato é que a emenda proposta não fora acolhida.


Me aproximei e logo quis me afastar, para bem longe. Prefiro continuar crendo que o conhecimento vem do alto, do Pai das Luzes, em quem não há sombra de variação alguma e que concede o conhecimento a quem quiser, bastando pedir.

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