18 setembro 2010

Rusga

Rusga, para Cuiabá, é um acontecimento marcante. Consiste na revolução dos 'brasileiros cuiabanos' contra os 'portugueses bicudos'. Sobre o Brasil da época, as revoluções eram constantes, como farroupilha, baianada, dentre outros.
Em Cuiabá, outrora capital da Capitania de São Paulo sob o governo de Rodrigo Menezes, o ouro que era mais presente aqui na prainha (atual centro) do que nas Minas Gerais não existia mais. Os bicudos, assim chamados por ocasião de Manoel Bicudo portugues descobridor destas áreas, dominavam o comércio e a cuiabania reuniu-se e os matou. Cortaram suas orelhas e faziam colares como troféus.
A vergonha de uma cidade. O sangue derramado. Como limpar a violência de uma rua, um bairro, uma cidade, um Estado, uma Nação?
O segredo é individual. Não nos diferenciamos dos bicudos egoístas que dominavam o mercado cuiabano, tampouco dos cuiabanos assassinos de bicudos.
Somos assim, embuídos de toda espécie de maldade.
Muitos anos antes da rusga cuiabana, nasceu um menino em Nazaré na Galiléia. Ele se tornou um Mestre, mais a frente reconhecido como o Cristo - Enviado de Deus - que certa vez pregou em um monte:
'Se tomar um tapa na cara, ofereça a outra. Se for forçado a andar uma milha, ande duas. Se lhe roubarem a túnica, ofereça a capa'. Arriscava-se a dizer para todos ouvirem.
Nosso egoísmo não pode nos impedir de compartilhar com o próximo - todos - e nossa violência deve se transformar na mansidão e longanimidade da vida, para que quer vivamos quer morramos, sejamos homens e mulheres lembrados pela bondade e amor despreendido, e não pela violência e egoísmo da vida.
Não é fácil, ninguem disse que o seria. Vamos andar mais uma milha?

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