11 setembro 2019

O fim

Nem sempre fica no meio.

10 setembro 2019

Antecipação

Antecipo meu coração na tutela do resultado

Sem fumaça de fogo nenhum e sem perigo de demorar a me ater

Aos vôos que vivo volto para mim na cadeira que segura meu alçar 

É o tal do bolo de fubá que quando vou com a farinha a vó volta com ele pronto

Meus sonhos são prontos, tudo calculado e vivido, só não posso vivê-los

Viver o multiverso é aceitar que nada planejado far-se-á presente

A realidade não aceita o ensaio

Largar a realidade é viver o medo de lançar fora a raiz para virar nova semente lançada ao vento

Abraçar minha raiz é quase aceitar que a cadeira me abraça de um jeito que não vai largar

Posso arraigar-me, mas não deixarei de antecipar meu coração na tutela do resultado

Seja o que resta ou que me faz respirar

Prefiro voar e ver o rio de múltiplas variáveis me abraçar e me mostrar que o resultado sempre pode ser diferente

Seja o sonho abstrato, difuso, complexo, prolixo, ditatorial ou impossível

08 setembro 2019

Quem perder a vida, ganha-la-á

Não consigo esquecer dos momentos que vivi. Ao menos os que meu coração julgou importantes, conscientemente ou não.

Se acontecesse eu perderia-me.

As vezes eu queria, pois perder é ganhar, esvaziar-se é encher-se.

Os calos não deixam mãos e pés.

Cicatrizes ainda rasgam o tecido do corpo.

As vozes, ímpares que são, ainda ecoam nos meus ouvidos.

As peculiaridades ainda são lembradas.

Muitos cheiros ainda estão na mente e nariz.

As dúvidas dos tempos pretéritos lá ficaram, apesar de vivas e enfraquecidas.

As decisões nas encruzilhadas parece que trouxeram caminhos de paz.

O trem da vida continua nos trilhos, para os que vivem.

Aos que se foram, Deus e o Universo sabem o que ocorre.

Muitos desafios e decepções hão de vir.

Outras lembranças se formam e formarão.

Muitos caminhos me são proibidos. Alguns eu queria ter o código de entrada e uns poucos me deixam passar sem chave.

Haja força, haja perseverança!

Quem perde a vida por amor de mim, disse Jesus, ganha-la-á.

Talvez seja porque anulando-se, mediante um propósito no coração, você se esqueça dos pormenores, que por vezes damos importância sem que tenham.

Só sei que não sei esquecer.





07 setembro 2019

Independência a lá BR

Se Deus me ouvisse (o eu Brasil) um pouquinho, me dava

Um país para governar

Uma empresa para administrar

Um cargo pra me gabar

Um título para brilhar

Uma casa para organizar

Um carro para voar

Um amor para amar

Um cachorro para me brincar

Uma mega sena para gastar

Um futebol para extravazar

Uma cerveja para embriagar

Um biquíni para olhar

Uma vaga para estacionar

Um Netflix para sonhar

Uma globo para me informar

Um presidente para criticar

Um comediante para me esbaldar

Um político para rechaçar

Uma constituição para rabiscar

Um bandido para matar

Uma música para eu popstar

Um instrumento para tocar

Uma igreja para pastorear

Um ídolo para lustrar

Um partido político para queimar

Uma ideologia para viver

Um deus para me atender

06 setembro 2019

O choro que chorou

Agora já foi

Um dia não será

Ontem não foi

Hoje não é

A escolha escolheu

A escola ensinou

O papa mostrou

A série sonegou

O portão já fechou

A prova iniciou

O gabarito não saiu

O resultado aconteceu

A lista não previu

Ninguém nos chamou

Calçou não serviu

Trocou não combinou

Guardou não limpou

Podou não vingou

Cortou não sangrou

Será que doeu

Não sei, nem eu



18 julho 2019

Pensando aqui

Andar fora da manada implica em pensar e agir além do âmbito geral.

O usual é cheio de jargão e de conhecimentos de ouvir falar.

A fila te cega, te blinda e te leva para o mesmo triste fim de todos na toada que não vai além do passo de quem tá na sua frente.

Quem desenvolve seu cosmo, em si e para além do desconhecido, eleva sua alma para o caminho que poucos trilham.

E não importa se tem um final igual a manada, até porque o fim a ninguém foi dado o dom de conhecer, mas que seu caminho foi diferente.

24 junho 2019

Será que não pode

As convenções sociais limitam nosso agir e sentir. Eu quero agir diferente do que devo, logo devo reprimir meus atos em prol do bem comum. Eu sinto a dor que dá prazer pra uns e o prazer que dói aos outros, logo devo esvaziar-me de mim para me encher dos conceitos da sociedade dita organizada.

A liberdade arraigada na geração em que vivemos ainda sofre machadadas dos justos que se assentam nos altos escalões morais e sociais. Não foi sem dor que conquistamos esta liberdade, sempre escuto dos mais variados tipos de gente em suas escolhas específicas sobre como viver do seu jeito.

Não sem razão as propostas religiosas também são limitantes, no sentido de estipular ditames dentre os quais devo praticar ou ser para me caracterizar como tal e qual ser religioso.

Talvez pois nossa natureza tende ao infinito, ao ilimitado, ao incoerente, ao exacerbado, ao vergonhoso, ao embaraçado, ao desregrado.

Sabendo disso, os antigos decidiram no contrato social - evento que reuniu os mais antigos sábios do plano terrestre (quem sabe ) - que o homem e a mulher devem ter normas e procedimentos para a manutenção pacífica da vida humana em comunhão.

Então se é assim, ou me dobro ao sistema e vivo na constância da união estável da vida social, ou me rebelo e marginalizo meu eu quanto aos outros.

Sei que existem tal e qual tipo de gente. Creio ser possível a ambos serem felizes, nos respectivos jeitos e trejeitos. Fico a pensar no Nazareno, contraditório judeu, que enalteceu pecadores arrependidos e condenou fariseus perseguidores.

A conduta de aceitar, sendo quem qualquer coisa que eu escolho ser e viver, é medida justa de respeito e integração de todos para todos. Sim, acredito nos limites, mas apenas nos aplicáveis para condutas que lesem o outro.

01 outubro 2018

A divisão de um povo

Diante de eleições o povo se divide.

Situação normal, não fossem as paixões que acometem os corações e traz a inimizade.

Quem ganhar vai ter mais da metade da população no seu encalço, entre perseguidores e oposição.

Mais de metade pois mais 30% nem votar vão e são contra política e políticos, somados aos perdedores.

A insatisfação governa nossos corações. A era digital nos individualiza e nos torna egoístas.

Seremos e continuaremos divididos, pois a história brasileira não é de um povo migrado de lugar, mas de uma miscelânea de culturas e povos, jamais uníssonos.

Salve-se quem puder, cada um preserve o seu, seriam jargões usuais para a sobrevivência de classes no país.

Não sei o que será de mim ou de nós. Acho eu que nada mudará de supetão, mas nessa humanidade, tudo é possível.

A divisão é inerente a nossa humanidade, humanidade que tem um nó de animalesca, sem dúvidas.

Portanto, seja de um lado do paralelepípedo ou de outro, o respeito é a melhor saída:

Eu não concordo, mas devo respeitar.

Eu não quero assim, mas devo respeitar quem quer.

A maioria venceu, devo respeitar a decisão da maioria.

A época das decisões unilaterais acabou, graças a Deus, que continuemos assim, divididos, porém com "um homem, um voto".

17 julho 2018

Digita direito

Ando sonhando com o método Stephen Hopkins de digitação por olhar. Sim, meus dedos agradeceriam, não sei se meus olhos míopes gostariam, mas é uma opção que almejo no futuro para meus dedos ainda digitadores.

Já percebo vacilos na força, principalmente diante dos teclados nada macios que andam vendendo. Sem contar que não andam na mesma medida da mente, tendo eu que retornar à correção vez ou outra.

Coisas de nossa humanidade capitalista/produtiva, gerar papel, para um dia eles virarem combustível.

16 julho 2018

O fato do querer

Não é possível, lícito, determinado ou determinável, eu querer sem querer o querer do querer.

Eu quero, diz o bebê em sua indecifrável linguagem da necessidade.

Eu quis, é verbo passado do futuro indisponível.

Eu ando querendo, é duplo modo de querer querendo, fingindo que permanecerei querendo.

Quando quero, não sei quero, pois não penso a fundo nisso.

Quando não quero, não insista, posso talvez querer, ou, ainda, enraivecer-me por não querer.

O querer tem suas facetas, seus retalhos.

Eu me confundo com meu querer, enquanto ser que quer e não quer.

Quando quero, esforço-me (quase nunca), para cumprimento do querer.

Quando não quero, apenas não quero.

E de querer em querer eu vou querendo, enquanto viver.

10 junho 2018

Ame ao outro, como a si

O amor ao próximo deve ser efetivado na régua do amor próprio.

Como amo alguém mais que a mim? Não seria saudável tal entrega, pois anular seu eu para o outro, por mais amoroso que pareça é tão ou mais doente quanto.

Quando me amo, me valorizo, me cuido, me curto, eu sinto que em mim - e misturado com a Divindade - sou único e completo.

A partir daí surge um amor maior, o amor que tenho por mim - é transbordado na mesma medida ao outro.

O amor próprio a princípio é egoísta, como quando a máscara de oxigênio cai e eu a coloco primeiro em mim.

Se eu não pensar em mim primeiro, como terei condições de pensar no outro?

Vindo a completude, tendo o oxigênio necessário em turbulências, aí posso eventualmente ajudar o próximo e amá-lo com minhas atitudes.

13 março 2018

A contabilidade inicial

Em meio a débitos e créditos, quando o débito aumenta o crédito diminui - esse é o ativo.

Se creditar diminui e diminuir debitar, aceitaremos o passivo.

A questão é se o saldo ativo menos passivo dará zero.

Se o Patrimônio Líquido envolve capital social e reservas, também engloba lucros acumulados.

Entender que o objeto da contabilidade é o patrimônio e a finalidade é fornecer informações é fácil.

Difícil seria a azienda, que é patrimônio e gestão.

Em meio a ativos circulantes de caixa, duplicatas a receber e estoques, corre por fora o ativo não circulante com investimentos (ações) e imobilizados (imóveis e móveis).

De passivo eu e todos brasileiros entendemos, fornecedores, salários a pagar, impostos a pagar, encargos a pagar, contas a pagas, empréstimos bancários, tudo a pagar.

A entidade diferenciando os patrimônios, a continuidade pressupondo a operação futura, a oportunidade mensurando componentes patrimoniais, o registro pelo valor original fala por si ao ser registrado quando da transação, a competência refere-se ao período correspondente com confrontação de receitas e despesas correlatas e a prudência - ah a prudência - sempre tem menor valor para o ativo e maior para o passivo quanto apresentem alternativas igualmente válidas.

E a vida nisso tudo? Corre como o vento, que nem dá tempo de contabilizar.

13 maio 2017

Sobrevivi (endo) comigo

Além de mim, nada há.

A sobrevivência é atributo instintivo de cada ser vivo, principalmente do mundo animal. A fome, o frio, o sono são exemplos clássicos de dominação em que ninguém escapa.

No mundo capitalista, que é o sistema de vida em sociedade mais humano possível - pois reflete a nós, seres humanos, como somos - é a sobrevivência sinônimo de internet, sky, drone, carro, lancha, avião, viagens, restaurantes, boates, raves, igrejas, sociedades secretas (maçons e lions), dinheiro, enfim, todas as baboseiras que você pode viver sem elas mas sem elas não pode viver.

A plenitude migrou de ter batata e mandioca na mesa, para ter uma mesa que seja mais cara e especial que as que meus 'amigos' tem.

Não, não sou o hipócrita que condena os quitutes capitalistas em que me banqueteio - na medida do possível - mas sim, sou o pecador que condena a mim mesmo por ser como sou.

Nenhuma criação ou ensino irá mudar o que somos, egoístas. O sentido do egoísmo é justamente pelo instinto da sobrevivência - acumular para jamais faltar.

Para a maioria existe uma linha, de moralidade, que tem sido quebrada em nome do benefício. Adotar condutas parciais e de índole duvidosa para obter o resultado almejado, que lógico me beneficia, é o que fazemos melhor.

E assim vamos, de esquema em esquema, jeitinho em jeitinho, ninguém ta vendo em ninguém ta vendo, a passos largos para a vida capitalista plena e para o inferno.

Ah, mas o inferno é aqui. Fato! É aqui mesmo, para os que são pobres, miseráveis, deficientes, excluídos. Para os outros, é o céu. 

Ah, mas me falta muita coisa, não é bem assim! Claro! Você tem carro, come picanha e bebe cerveja fim de semana, tem emprego, internet, notebook e não ta bom, nada nada bom.

Ah, mas não podemos generalizar, nem todos são egoístas. Óbvio. Farinha pouca, meu pirão primeiro.

Eu duvido quem não hesite em fazer o que condenam. Quem condena os outros, gloriando-se de si, está prestes a cair, diz o provérbios - mais certo que conheço. Todas as vezes que me gabei, me fudi - no sentido mais vulgar possível.

Eu mesmo preciso vigiar, não me considero em pé e sim caído, mas existem temas em que ainda há esperança para minha manutenção de posição. A maioria me exige auto-reparos.

Rogo a Deus, Aquele que nada muda milagreiramente em nós, que nos criou e deixou nesta Terra com metade de sua essência e metade vazia, que a metade DEle em mim se multiplique e a metade minha de mim se diminua.

Ai de mim, que prejudico aos outros em detrimento de mim. Ai de mim que não compartilho o que ganho, mas acumulo para mim. Ai de mim, que só penso em mim. Tolo e insensato que sou.

Convido-o a também a se auto-avaliar. Se se achar digno, repense e volte ao começo.








14 dezembro 2016

O fim do 16

Não viverei mais no ano 16.
No próximo talvez nem meus netos.

Não terei mais 16 anos de idade.

A vida tem andado a passos:

Mais seguros, menos ansiosos.

Mais rentáveis, menos prejudiciais.
Mais lúcido, menos bambo.
Mais estruturado, menos remendado.
Mais pensado, menos impulsionado.
Mais sopesado, menos imediatista.
Mais alicerçado, menos ganancioso.
Mais família criada, menos amigos forjados.

2016 foi mais um ano, que se foi.

E com o passar dos anos, cada ano passa mais rápido, menos devagar.

Resta-nos, diz a música, saber viver.

Diariamente, agradeço a Deus por tudo, peço Sua vontade, o perdão dos meus pecados e torço para ser livre do mal.

06 outubro 2016

Nubladezas

Em dias cada vez mais quentes, a chuva se aponta no infinito e limpo céu azul. Com ela seu cheiro, seu vento, seu acalento. Saio da caixinha em que me escondo para cheirá-la mais uma vez, sentir o gotejar frio e refrescante de seu contato.

As plantas mortas ressuscitam, sem cultos religiosos ou líderes charlatões. Os pássaros cantam com mais vigor, embora molhados pela pouca proteção que as folhas lhes proporcionam.

O trânsito piora, quem saberia dirigir em cidade chuvosa, tendo 350 dias anuais de sol a pico. A energia elétrica também dá sua pausa, como conflitaria com as imponentes árvores plantadas nas calçadas e as indelicadas correntezas de água formadas.

O céu acinzentado traz nostalgia, certezas de que bons ventos estão a soprar, ainda que de outro modo a saudade dos dias e horas mais calorentos aperte o coração.

A crise vem com as nuvens carregadas. Chuva de verão não se confunde com polarização congelante de trevas ininterruptas. O cenário é caótico, pois não se pensa além de si e aquém.

Não é importante dar destinação justa ao lixo produzido, a chuva irá levar para longe.

Não é importante tratar o esgoto gerado, o rio levará minhas fezes e excrementos.

Não é importante que todos comam dignamente, meu salário, ainda que levemente atrasado, cai na conta todo mês.

Não é importante que eu desempenhe meu trabalho para que sou pago, posso interromper a glória alheia.

Não é importante que futuras gerações existam, enfim, se só a minha viver, foda-se a próxima.

E acerca dos temas mais variados estamos amarrados. Não sou eu a encarar tais temas polêmicos, como poderia atirar pedras em outros se o pecado habita em mim. Onde fui predestinado a nascer e viver isso poderia ser motivo de morte, e eu gosto da vida e pretendo exercê-la até enquanto o criador assim quiser.

De fato, se me for permitido e assim eu tiver condições, farei do jeito que entendo certo. Se existe algo neste mundo chamado planeta Terra em que os humanos se similarizam é nisto, cada um faz o que acha certo para si e para os seus.



24 agosto 2016

Em campanha

Sem atrapalhar nossas noites de prazer, nossos candidatos ainda nos prometem fazer de tudo e mais um pouco. A maioria não sabe das obrigações inerentes a receitas e despesas, consumo sustentável, licitações e contratações escritas, pressupostos dos mais básicos ao gestor público.

Por aqui não diferente dai, tem os grupos fechados ansiosos pelos cargos em comissão, os atuais que querem não perder a boquinha e os indivíduos individuais, os quais pregam que sozinhos salvarão a comunidade.

As panelas religiosas apoiam os seus, escolhidos entre si e avalizados por suas pretensas divindades. Os cósmicos e maçons em secreto também apoiam a si próprios, num círculo que ninguém sabe e ninguém viu, a não ser por três ridículos pontinhos que os identificam.

Minha campanha é menor, para outras coisas, mas também relacionadas a egoísmos capitalistas e auto centralistas que fazem parte de mim e dos meus. Não, não me candidato a nada, já me disseram serem meus braços curtos, de fato o são. Os que tem braços maiores não abraçam a todos também, apenas os seus, como eu e todos nós.

Governar não deve ser fácil, pois depende dos outros, em tudo. Ninguém governa nada sem a força, o sangue, ou a amizade, ou o acordo, ou a ação, ou a omissão.

Em campanha os piores podem ser os melhores e os que melhor falam os que menos se preocupam com os demais, não há regras e tudo e todos podem ser surpresas. O exercício da religiosidade, assistencialismo e associativismo não define caráter nem competência.

O competente pode tornar-se ineficiente por não saber o esquema que leva à eficiência e o corrupto e ladrão pode ser eficiente e querido se tiver os caminhos e asseclas nos lugares certos e na hora certa.

A vida neste planeta é finita. Não adianta fazer campanha, ganhar e usurpar-se do que é alheio, mesmo que inocentado seja pelas malandragens existentes. Como diz minha vó, que ouvia da sua vó, aqui se faz, aqui se paga.

A governança, em seus conceitos contemporâneos, pressupõe ética, responsabilidade e transparência que o sistema em si ainda não absorveu. Ainda estamos na época em que 50 reais vale um voto. A fiscalização tenta coibir o que a cultura de um povo traz dentro de si.

A humanidade que nos tem, é aquela que nos estipula à infidelidade a tudo e todos, ainda mais se isto for obstáculo. É isso, a humanidade nos tem. Nossa campanha é o que somos. E que somos, senão desejos, sonhos, utopias e escorregadias condutas, que tanto escondemos dos outros, e de nós mesmos.
 

29 junho 2016

O terrorismo nosso de cada dia

Eventos recentes demonstram nossa bestialidade. Como humanidade, a grosso modo, ofendemos a quem nos tem ofendido e não perdoamos a quem nos oferece perdão. A natureza remete à grosseria, à violência, ao seu olho pelo olho perdido, a sua mão pela minha mão perdida.

E mais, somos gananciosos enquanto seres viventes. Territorialistas, eu diria. Como meu cachorro macho que mija em cada canto da casa onde coloca as patas e ainda na rua, por onde tiver urina, para deixar seu cheiro, sua marca, seu excremento, a fim de que os outros saibam que ele passou por ali e aquele espaço é seu.

O conceito de nação perpassa por isso, fechamos a cerca para dizer que aquele espaço de terra é nosso e de mais ninguém. Os ingleses, menos bobos dos humanos contemporâneos, já deliberaram pela saída de uma união continental, afinal, abrir as comportas para que outros se beneficiem do que eles plantaram, jamais.

A violência demonstrada em atos terroristas, em que muitos são mortos em nome de ideais religiosos ou ideológicos, também é pouco disso. Não aceitar o que o outro diz é difícil demais sem chegar ao homicídio resultado no genocídio. Acham, em inocência de vida, que exterminar grupos, etnias, nações, resolverá o problema que eles acham existir.

E é assim. E vai continuar a ser assim. Os ricos mais ricos, os pobres continuando na pobreza. E não há quem nos defenda, não nesta vida.  Pensar custa caro, anos a fio de escolas e mestres e ainda mais, quando o esclarecimento perpassa pelo combate à cultura ambiental primária.

O instinto de sobreviver, de espalhar o pólen e urina nos mais longínquos lugares, acentua a naturalidade. A rivalidade é do ser, e não do capitalismo ou socialismo ou comunismo. Não aceitamos o outro vencendo com menos méritos que a gente. Os que aceitam, sabem pouco tornar-se interlocutores de uma transição educacional necessária ao desenvolvimento humanos.

Quem sabe seríamos experimentos, divinos ou extraterrestres, tanto faz. O estágio de civilidade é tão pequeno que não conseguimos nos manter unidos. E justamente por isso pequenos grupos racham, quiçá as grandes nações. De norte a sul e leste a oeste cada qual é cada qual. Ainda me admiro que tenhamos evoluído, a ferro e fogo de poucos idealistas, muitos dos quais deram a vida em prol da respectiva causa, com uma vida social quase que mundial, o contrato social.

A linha de retrocesso e avanço é tênue. O risco do cenário imaginário e futurístico de madmax se concretizar tem a mesma porcentagem do cenário de eurobô.

Temo pela minha vida. Este é um mundo perigoso. Mas também temo calar-me quando o injusto inventa novas injustezas e o justo se flexibiliza aos jeitos burlatórios de normas postas. As normas são boas, mas como seus autores, encontram-se nelas brechas nas quais muitos se locupletam.

A oração, uns pelos outros, é medida ensinada pelo Rabi Nazareno, assim como pelas autoridades. Se dois milênios atrás o que é de César foi-nos ensinado a dar a César, quanto mais hoje dar a Deus o que é de Deus. O jeito quieto do mestre galileu de mostrar a revolução almejada pelos judeus demorou e demora até hoje. As guerras não acabaram e os jugos continuam sobre os pescoços da humanidade.

As respostas óbvias não existem, são meras abstrações de quem almeja lhe doutrinar e subjugar em sua própria colônia, ou da simplicidade de quem sequer sabe o que é, quem é e não detém capacidade para nenhum questionamento, apenas segue a manada.

Ah, o efeito manada, um puxa o berrante o todos seguem atrás. Somos assim. Permaneceremos assim. O senso crítico não nos livrará, apenas amenizará em atitudes não soberanas e não ditatoriais, o viver no mundo.






18 maio 2016

Olha pra mim

Como não corar o rosto quando me sinto olhado. O ser humano é social e sociável por natureza e gosta de reconhecer e ser reconhecido. Uns, por esperteza, usam-se de atributos que não detém, outros, enganadores em si, iludem a realidade vivida.

Quando faço o que já tenho o que fazer, lá atrás já ensinaram, não faço nada digno de honra ou elogio, ou olhar. Já quando vou além, de minhas obrigações corriqueiras, de meu eu comum, daquilo que recebo para fazer, seja pecuniário ou sentimental, daí sou digno do olhar aprovador.

A lógica da sociedade, sempre inversa, deve-se a ilusão humana de que fazemos demais ou tudo dentro de nosso contrato social. Jogar o lixo no lixo me torna herói, já separá-lo para reciclagem e total aproveitamento em benefício ao meio ambiente, vilão para uns, exagerado para outros, um Marvel ou DC para meu eu.

Nosso senso capitalista de benefícios por méritos nos incentivam à tendência quase absoluta de cortar o caminho. Quando morei no internato, sempre peguei o caminho mais curto, ainda que mais perigoso para o refeitório, com mato e pinguela (um tronco caído de um lado ao outro do rio). E se houvesse competição formal, pois a informal é intrínseco a nosso ser, tentaria o caminho mais curto novamente.

O ditado de que fins justificam meios derrubam presidentes, monarcas a diretores de escolas públicas e presidentes de bairro. O desconhecimento daquele em que eu batia às costas, quando pecados ou imoralidades tornam-se públicas é a regra para quem, como eu e você, tememos falar a verdade ou deixá-la livre em nossos pensamentos.

Olha pra mim, é o símbolo do filho que quer reconhecimento paterno/materno, do funcionário para seu patrão, do súdito para seu rei, do fiel para seu Deus/deus.

A sedução de ser reconhecido é vencida por poucos. No alto do cume, a proposta de reinar lacrimeja os olhos e acelera o coração. Para que sacrificar-me, se posso pegar o caminho mais curto e, assim, olharem para mim.

Quando deixamos, ainda que por mínimos momentos, de exigir que o outro, sejam quem ou o que for, olhe para nós, e nós olhamos para si, para dentro, algo diferente acontece. E não é o mesmo efeito para todos, eu diria que o efeito é individual de cada um. Como dizem, sei lá quem, cada um sabe a alegria e a dor de ser, você/eu mesmo.

09 fevereiro 2016

A festa pela crise

No meio do carnaval, a carne nada vale.
Os ânimos acirram, extravasam geral.
A bebida entorpece e a visão agradece.
O pênis endurece e as DSTs se apetece.
Ser moral é pequeno, o clima é quente.
Cada um no seu canto, se diverte ou não.
Religiosos se retiram, libertinos se atiram.
Em economia decadente, feriado nem se sente.
O preço das coisas aumenta, reinvidicar nem se tenta.
Viver é artigo de luxo, no país tropical.
Dever no débito é viver no crédito.
Pagar a conta no dia, quem diria.
Governo incentiva endividamento.
O contento é dever sem poder.
 Pagar pra quê, em 5 anos a dívida prescreve.
O nome limpa e o ciclo renova.
Ouvir sermão, uma ova.
O ser humano é assim.
Precisam de mim, disse o Rabi.
Mas ajuntar como galinha os pintinhos.
Até E'le sabia que não podia.
Em meio à nossa desvairia.
Salve-se quem puder.
Se o crédito der.
AFINAL
É fácil discursar.
Difícil é viver.
Ainda mais corretamente.
E o que é correto,
Até isso se transforma.
E de pessoa em pessoa se disforma.


06 janeiro 2016

Trilhos

Descarrilham

Guiam

Levam

Trazem

Unem

Separam

Seguem.




A decadência das manifestações de meu ser neste blog, ano a ano, não remetem à minha mudança de humor ou qualquer outra desculpa. Como as promessas de novo ano, prometo-me e comprometo-me a rabiscar só que não funciona bem na prática.

Com a economia tendente a esvaziar os empregos, reduzindo-os ao fim; com o capitalismo sujo de poucos ricos e todo o resto pobre;  com a política seletiva e nada democrática que continuam a atender interesses burgueses; com a miserabilidade social, educacional e o retorno da guerra constante anterior ao Contrato Social; dentre outras nuances que no dia a dia do noticiário mundial se propaga, só penso nos ensinamentos dEle:

11 Mas o maior dentre vós será vosso servo.
12 Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.
13 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!
14 [Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!]
15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!
16 Ai de vós, guias cegos, que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou!
17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro ou o santuário que santifica o ouro?
18 E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém, jurar pela oferta que está sobre o altar fica obrigado pelo que jurou.
19 Cegos! Pois qual é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?
20 Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que sobre ele está.
21 Quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita;
22 e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que no trono está sentado.
23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!
24 Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!
25 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança!
26 Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!
27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!
28 Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos
30 e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas!
31 Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.
32 Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.
33 Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?
Como?