Não consigo esquecer dos momentos que vivi. Ao menos os que meu coração julgou importantes, conscientemente ou não.
Se acontecesse eu perderia-me.
As vezes eu queria, pois perder é ganhar, esvaziar-se é encher-se.
Os calos não deixam mãos e pés.
Cicatrizes ainda rasgam o tecido do corpo.
As vozes, ímpares que são, ainda ecoam nos meus ouvidos.
As peculiaridades ainda são lembradas.
Muitos cheiros ainda estão na mente e nariz.
As dúvidas dos tempos pretéritos lá ficaram, apesar de vivas e enfraquecidas.
As decisões nas encruzilhadas parece que trouxeram caminhos de paz.
O trem da vida continua nos trilhos, para os que vivem.
Aos que se foram, Deus e o Universo sabem o que ocorre.
Muitos desafios e decepções hão de vir.
Outras lembranças se formam e formarão.
Muitos caminhos me são proibidos. Alguns eu queria ter o código de entrada e uns poucos me deixam passar sem chave.
Haja força, haja perseverança!
Quem perde a vida por amor de mim, disse Jesus, ganha-la-á.
Talvez seja porque anulando-se, mediante um propósito no coração, você se esqueça dos pormenores, que por vezes damos importância sem que tenham.
Só sei que não sei esquecer.
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