Eu nunca me esqueço da música que aprendi na escola salesiana, idos de 1993, de que eu preciso de você e você de mim, sendo nós de Cristo, até o fim.
Isso, sem cessar, sem parar, sem vacilar, sem temer, sem chorar.
Mas eu em meia idade vivo a pensar que dependo mais de você do que de você de mim. Pois quando dependem de mim, não dizem que dependem de mim, ou agradecem por ter dependido de mim.
Só que quando eu dependo de você, eu preciso depender expressamente, com gratidão e sorriso nos lábios.
Sei lá, não deve ser justo.
Ou deveria ser, mediante reciprocidade, eu depender de você e você depender de mim.
A questão é, a música trata de relacionamentos cristãos. Porque nós precisamos depender de Cristo para eu depender de você e você de mim.
Então o mundo corporativo e a minhas relações por aí não se submetem a premissa de que quando dependem de mim, reconhecem que de dependem, com a reciprocidade necessária de modo a eu depender de você.
Por isso as injustiças relacionais. Pessoas não honram o auxílio dado já que dependeram de mim sem o compromisso de juntos dependermos de Cristo, e isso até o fim.
E quando se vê, te passam por cima, sem sequer olhar para trás.
É também meu sentimento, confesso, humilhar depois que sou humilhado.
Mas depender de Cristo pressupõe não vacilar, não cessar de insistir em ajudar a quem depende de você, não parar de dar a mão a quem precisa naquela hora, não temer o amanhã, não chorar pela dor eventual de se sentir humilhado.
É raro, mas acontece.