16 novembro 2023

Nero.

Tirano era eu.
Nero era anjo.
Coube na palma de uma mão fechada quando o tirei de sua mãe.
Escapou de minhas mãos, bateu a cabeça e desmaiou antes de completar um ano.
Adorava manga e iogurte de morango.
Várias vezes eu o menosprezei e nunca foi recíproco.
Com uns quatro anos, o deixei na minha mãe para viajar e ele inventa de pular da escada, tendo quebrado a pata e colocado parafusos.
Com uns seis anos foi pai.
Separei-o de seus filhos, exceto a None -sua companhia.
Castrei-o para tentar demovê-lo da ideia de se masturbar em público, não deu muito certo.
Adorava sua bolinha, não se cansava de buscá-la.
Depois de nos mudarmos da primeira casa ele mordeu uma vizinha da nova rua, fez-me romper com os vizinhos por ele.
Inventei um jeito de ele não ter acesso a rua quando eu entrava e saía e o confinei em si.
Raramente eu fazia as suas vontades e ele nunca reclamou.
No seu último dia o liberei para partir e ele amavelmente me seguiu o dia todo.
Nós últimos suspiros conversamos pela última vez e passamos pela virada juntos de mãos dadas.
Plantei-o em mim.
Nero era eu. Anjo era ele.


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