Não é possível, lícito, determinado ou determinável, eu querer sem querer o querer do querer.
Eu quero, diz o bebê em sua indecifrável linguagem da necessidade.
Eu quis, é verbo passado do futuro indisponível.
Eu ando querendo, é duplo modo de querer querendo, fingindo que permanecerei querendo.
Quando quero, não sei quero, pois não penso a fundo nisso.
Quando não quero, não insista, posso talvez querer, ou, ainda, enraivecer-me por não querer.
O querer tem suas facetas, seus retalhos.
Eu me confundo com meu querer, enquanto ser que quer e não quer.
Quando quero, esforço-me (quase nunca), para cumprimento do querer.
Quando não quero, apenas não quero.
E de querer em querer eu vou querendo, enquanto viver.
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