16 julho 2018

O fato do querer

Não é possível, lícito, determinado ou determinável, eu querer sem querer o querer do querer.

Eu quero, diz o bebê em sua indecifrável linguagem da necessidade.

Eu quis, é verbo passado do futuro indisponível.

Eu ando querendo, é duplo modo de querer querendo, fingindo que permanecerei querendo.

Quando quero, não sei quero, pois não penso a fundo nisso.

Quando não quero, não insista, posso talvez querer, ou, ainda, enraivecer-me por não querer.

O querer tem suas facetas, seus retalhos.

Eu me confundo com meu querer, enquanto ser que quer e não quer.

Quando quero, esforço-me (quase nunca), para cumprimento do querer.

Quando não quero, apenas não quero.

E de querer em querer eu vou querendo, enquanto viver.

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