Lendo a introdução do
livro “A verdade e as formas jurídicas”, de Foucault, achei
interessante o debate sobre o resultado do conhecimento e suas
nuances, no que pertine a ridere, lugere, detestari.
“Spinoza dizia que, se
quisermos compreender as coisas, se quisermos efetivamente
compreendê-las em sua natureza, em sua essência e portanto em sua
verdade, é necessário que nos abstenhamos de rir delas, de
deplorá-las ou de detestá-las.”
Foucault parafraseando
Nietzsche, em o livro Gaia Ciência,
disse que o mesmo não somente abominava o pensamento de Spinoza,
como o fato era o contrário, ou seja, o conhecimento e a
compreensão, por vezes sinônimos, perpassam por um jogo e luta
desses três instintos, mecanismos, paixões.
Era
defendido que esses impulsos – rir, destestar e deplorar – são
ordens de más relações, pois ao se adquirir maiores conhecimentos,
afasta-se o objeto, seja se protegendo pelo riso, desvalorizá-lo
pela deploração ou afastá-lo ou destruí-lo pelo ódio.
Deste
modo, no conhecimento não há no conhecimento felicidade e amor, mas
ódio e hostilização, caracterizando um sistema precário de poder.
Conclui-se que a filosofia estaria longe de indicar o conhecimento,
devendo, os que o buscam, se aproximar dos políticos, compreendendo
as relações de luta e poder. - “na maneira como as coisas entre
si, os homens entre si se odeiam, lutam, procuram dominar uns aos
outros, querem exercer, uns sobre os outros, relações de poder –
que compreendemos em que consiste o conhecimento”.
Hoje,
dia 04 de setembro de 2013, ao ouvir na rádio Senado o debate sobre
o projeto de lei em que se
debatia a transparência dos doadores, sejam pessoas físicas ou
jurídicas, para campanhas eleitorais, me aproximei dos políticos para ouvi-los,
com suas falas de relação de poder, em sua maioria se negando a
querer declarar quem doa para que façam campanhas políticas, sob o
argumento de que tal fato se faz as escuras e se fosse as claras,
sequer dinheiro para campanha teriam. Fato é que a emenda proposta não fora acolhida.
Me
aproximei e logo quis me afastar, para bem longe. Prefiro continuar
crendo que o conhecimento vem do alto, do Pai das Luzes, em quem não
há sombra de variação alguma e que concede o conhecimento a quem quiser, bastando pedir.
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