09 outubro 2015

A profissionalização (des) necessária.

Minha superficialidade de conhecimento é de matar. Sinto-me culpado por não ler mais, estudar mais, dedicar-me mais. Ao mesmo tempo em que invisto meu free time do dia na capacitação educacional e profissionalizante, não sinto os efeitos concomitantes chamados de resultados. Não como minha mente imaginaria. Talvez eu me fantasie em mais ou menos do que seja, vai saber.

Ouvi, meses atrás, um conselho, pedido por mim, de alguém que chegou onde queria, profissionalmente falando, que o ideal era pautar a teoria pela prática inicial. Diante da escassez de recursos práticos que me levem onde quero, não absorvi o conselho como deveria.

Onde quero estar é conceito afetado pelas nuances de oportunidade e conveniência. Dado o berço em que se vive, percebe-se (com exceções raríssimas) como a semente germinará e que fruto dará.

A incompletude de meu ser se alastra dentro de mim, mesmo tendo que me conter, não me contenho. Não sou incrementalista, aquele que quer resolver tudo consensualmente, preservando o passado e que raramente resolve ou se posiciona por algo, mas sim, sou racional, arriscando-me em saltos que podem resultar em mudanças positivas ou negativas, afinal, quem não arrisca, não petisca. O tempo tem apaziguado a natureza, começo a perceber pequenos e raros traços de maturidade que me fazem pensar antes de agir.

No âmbito profissional, em que o capitalismo segrega as pessoas, empobrecendo e matando a maioria, e os governos utilizam-se de métodos regulatórios de mentirinha, é triste ver que os empregos estão chegando ao fim. Há quem defenda o colapso do capitalismo neste século, pois com ricos mais ricos e pobres mais pobres, um dia a situação estoura.

Meu papel neste mundo, indefinido pelo universo de definições conflitantes em meu ser, é cada dia mais retraído e difuso, diante da impossibilidade de dar uma de Cristo patrolando os fariseus e escribas, que não vão ao céu e nem deixam ninguém ir; tampouco de diabo, fazendo acordos escusos com pactos estranhos e de consequências incalculáveis.

A ansiedade generalizada de nosso mundo, em que quem não está bem quer estar e que está quer mais ainda, é parente consanguíneo das me-dá, me-dá, sanguessugas filhas relatadas a mais de 4 mil anos atrás.

Entristeço-me pela tendência que leva a humanidade ao seu próprio fim, sem precisar nem que Deus, Jesus ou Maomé voltem; tampouco que o diabo coloque fogo. Basta ver como tratamos a vida, se as casas são limpas, existem locais na cidade bem sujos; se a água da torneira é limpa, a água dos rios tá imunda; se o bueiro tá entupido, a culpa é do Poder Público, jamais minha que jogo lixo no chão; se os lixões estão lotados, devido a não reciclarmos vasilhas que demorarão mais que nossa vida para serem absorvidas pela terra; dentre outras situações que nos levam do início ao fim da estória, again and again, para que o ciclo de complete e torne a se repetir.

Somos kamikazes (nada dos diferencia deles e nossa natureza a eles se iguala), doidos querendo tacar uma bombinha aqui e ali, com os mais variados sabores, seja da bomba que mata, seja da que me privilegia, seja da que lesiona, seja da que não me prejudica, seja da que me mantém, seja da que me alça.

Nesse mundo cruel, composto por nós, pessoas cruéis, é preciso cautela para manter a vida, como no mundo animal (somos animais e fazemos parte deste mundo, mesmo não tirando preciosas lições dos safáris).

A vida é curta, o período de trabalho e estudos é longo, e de passo em passo precisamos deixar nossas vaidades de lado e investir tempo (e $) em capacitações, faculdades, cursos e práticas profissionalizantes (tudo é vaidade, não nos esqueçamos, tudo é vaidade!).






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