01 outubro 2007

Farisaísmo


Se existe alguma classe de pessoas nesta Terra que tirou ao Mestre da Galiléia do sério, esta classe é a dos fariseus. A origem hebraica da palavra fariseus é prushim, que significa “separados”. Basicamente defendiam a separação do Estado da religião sendo que o Estado, ao ver deles, deveria ser regido pela Torá, a lei de Moisés.

No livro de Lucas, capítulo 12, versículo 1, parte b, Jesus ensina que devemos estar espertos quanto ao fermento dos fariseus que é a hipocrisia. Hipocrisia, pois eles transmitiam ao povo uma santidade que não possuíam, pois por dentro eram egoístas, impostores, invejosos, famintos pelo poder com uma falsa aparência de respeito e falsa sensação de espiritualidade. Fermento, pois o que eles escondiam através de sua falsidade logo iria ser revelado e transparecido.

Em Mateus 23:23 a 36, o Cristo se posiciona severamente contra aos fariseus, pois eles realmente se preocupam com a aparência, o exterior, a reputação, a moral, o poder, a religião; quando na realidade, professam uma falsa fé e cheia de omissões, mentiras, iniqüidades, imundícias e hipocrisias.

Perceba que os pecadores, os vacilantes, os desequilibrados, errantes da vida obteram da parte do Messias amor e compaixão. Tanto que Jesus se arriscou a dizer que veio a terra por estes, os doentes e não para os sãos.

O que mais preocupa é que farisaísmo não é somente uma classe de pessoas que viveram à época do Mestre, mas sim um estado de espírito, um vacilo, uma opção errônea e hoje vemos claramente que trata-se de uma linha tênue entre o verdadeiro relacionamento com o Pai que está nos céus e o farisaísmo preocupado com a religiosidade e com a manutenção do sistema atual.

Diante do nosso estado de humanidade, precisamos nos vigiar para que nosso senso de moralidade e convicções não nos tornem pessoas tão desprezíveis aos olhos de Cristo como os fariseus.

Cada vez que declaramos a total legitimidade de nossas placas de igreja, que dizemos que não temos pecados, que nos revestimos de uma capa de santidade que, segundo a Bíblia Sagrada não é o parâmetro correto a ser buscado, estamos nos equiparando aos fariseus.

O parâmetro correto é buscar a varonilidade perfeita que é Jesus, haja vista o próprio Mestre nos ensinar que devemos ser iguais a ele, seguir os passos dele. Logo, seguir aos passos de Cristo, implica em lutar contra a religiosidade e falsa aparência de santidade, ou seja, amar o pecador com o amor de Cristo e desprezar a hegemonia farisaica como o Mestre desprezou.

Se no século XXI a raiz dos fariseus continua a crescer de maneira assustadora e doentia, cabe a nós, os discípulos do Cristo Salvador, combater com o mesmo ímpeto a toda e qualquer manifestação que venha a exaltar o exterior em detrimento do interior, pois é do interior que começa a limpeza do exterior e não o contrário (Mateus 23:26).

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